Mordomia dos Talentos e Habilidades (5)

MORDOMIA DOS TALENTOS E HABILIDADES
1. Introdução
“Deus tem concedido talentos aos seres humanos, cada um tem recebido algo do Mestre, e devem todos fazer sua parte em suprir as necessidades da obra de Deus. [...] A fala é um talento. De todos os dons concedidos, nenhum outro deve ser mais apreciado do que o dom de falar. Deve ser usado para declarar a sabedoria e o maravilhoso amor de Deus. Assim devem os tesouros da Sua sabedoria e da Sua graça serem comunicados.”
“Nosso primeiro dever para com Deus e os nossos semelhantes é o desenvolvimento próprio. Cada faculdade com a qual o Criador nos dotou deve ser cultivada no mais alto grau de perfeição, a fim de que sejamos capazes de realizar a maior soma de bem que nos seja possível. Por isso, o tempo investido no estabelecimento e preservação da saúde é um tempo bem aproveitado. Não podemos nos permitir diminuir ou invalidar qualquer função do corpo ou da mente. Tão certamente quanto fizermos isso, devemos sofrer as consequências.
2. Mordomia dos Talentos e Habilidades
A mordomia inclui o uso judicioso dos talentos e habilidades concedidos por Deus. Para a construção do tabernáculo no deserto, Deus encheu “de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício”, os que deviam realizar o trabalho (Êx 31:2-6). Séculos depois, Paulo descreveu os dons espirituais comunicados aos crentes para benefício do corpo da igreja (Rm 12:4-8; 1Co 12; Ef 4:7-14; 1Pe 4:10,11). Esses dons são habilidades e capacidades concedidas por Deus e postas à disposição dos crentes, para serem usadas conforme a orientação do Espírito; eles servem para enriquecer e edificar o companheirismo dos crentes. A igreja é uma comunidade de pessoas equipadas para servir ao mundo. 
A apropriada mordomia desses dons envolve, inevitavelmente, o ministério e a missão de alcançar e atender às necessidades humanas em nome de Cristo.
Os cristãos devem fazer o melhor uso possível de suas habilidades comunicativas. Paulo incentivava os crentes a que a palavra deles fosse “sempre agradável, temperada com sal” (Cl4:6), para que se tornassem” padrão [...] na palavra (1Tm 4:12) e tivessem por característica “linguagem sadia e irrepreensível” (Tt 2:8).
Como todos os outros dons, a linguagem deve ser usada para a glória de Deus e a bênção do semelhante. Acima de tudo, o talento da fala deve ser cultivado e usado para compartilhar as boas-novas de Jesus com todos aqueles que entrarem na esfera de influência do crente.
3. Exemplo de Mordomia
a) A Parábola das Dez Minas (Lucas 19:11-27) e a Parábola dos talentos (Mt 25:14-30)
        Em Suas parábolas das minas e dos talentos, Jesus ressaltou a importância de usar aquilo que o patrão havia confiado a seus empregados (Lc 19:12-27; Mt 25:14-30). O uso correto dos recursos do patrão - isto é sua multiplicação traz como resultado aprovação e recompensa. O empregado que não desenvolveu seu talento perdeu-o e ainda foi condenado às trevas exteriores por fracassar no manejo do seu talento. 
Embora a história fale de dinheiro, “talentos” ou “minas” podemos e referir às habilidades e talentos concedidos por Deus para o autodesenvolvimento e para o benefício dos outros.
A mordomia é o tema principal da parábola das minas e da parábola dos talentos. O nobre, ou o proprietário de terras, viaja a um país distante. Convoca seus empregados e lhes dá instruções e tarefas para cumprir enquanto ele estiver fora. Em cada caso, ele espera que aufiram lucro pelo sábio emprego do capital que lhes confiou. Lucas 19:13 mostra que eles deviam negociar com esse capital enquanto o senhor estivesse fora. Em Mateus, ele lhes “confiou os seus bens” (Mt 25:14). Os servos entenderam suas responsabilidades. O que recebera cinco talentos “saiu imediatamente a negociar com eles.” O que recebeu dois fez o mesmo (v. 16,17). Em ambas as parábolas os servos que cumpriram suas responsabilidades na ausência do proprietário/nobre foram elogiados e recompensados. O mordomo sábio se identifica com o seu senhor e os interesses dele. Haverá, porém, um tempo de inspeção e avaliação em alguma data futura. O juízo começa “pela casa de Deus” (1Pe 4:17).
Em Mateus 25:31-46, os mordomos são julgados com base na maneira como tratam os desafortunados - os presos, os doentes, os desamparados e os desabrigados. Aqueles que partilham altruisticamente os seus bens ficam surpresos quando o Rei declara que o que fizeram aos outros foi a Ele que o fizeram. Recebem o convite para entrar na “posse do reino” (v. 34). Os que não passam na avaliação vão para o “castigo eterno” (v. 46).
Como se pode ver nessas parábolas, a mordomia tem suas recompensas e punições. O senhor da casa é inflexível com cada caso: exige que invistam o capital que dele receberam. O padrão do julgamento é claro: “Aquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lc 12:48).
4. Conclusão:
“Grandes ou pequenas que sejam as posses de qualquer indivíduo, lembre-se ele de que isso é seu apenas em confiança. Por sua força, habilidade, tempo, talentos, oportunidades e recursos, tem que prestar contas a Deus. É esse um trabalho individual. Deus nos dá para que possamos nos tornar como Ele: generosos, nobres, caridosos, ao dar uns aos outros. Aqueles que, esquecidos de sua missão divina, só procuram economizar ou gastar na condescendência do orgulho ou do egoísmo poderão alcançar os ganhos e prazeres do mundo. Mas, à vista de Deus, avaliados pelas suas realizações espirituais são desgraçados, miseráveis, pobres, cegos e nus.”
Deus requer obediência voluntária. Visto que sois comprados por preço, sendo esse preço o precioso sangue de Jesus, Ele requer que façam uso correto dos privilégios que desfrutam. Vossas faculdades intelectuais e morais são dons divinos, talentos a vós confiados para sábio desenvolvimento, e não tendes a liberdade de deixá-los improdutivos por falta do devido cultivo, ou de serem danificados ou diminuídos pela falta de atividade. Compete-vos determinar se as pesadas responsabilidades que sobre vós repousam serão fielmente atendidas ou não, se vossos esforços serão ou não bem dirigidos, e da melhor maneira que puderdes.”
5. Referências:
1. Almeida Corrigida Fiel ACF 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (SBTB).
2. Ellen G. White. Espírito de Profecia.
3. Tratado de Teologia da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
4. Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

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