Mordomia da Terra (4)

MORDOMIA DA TERRA
1. Introdução
a) Mordomia da Graça. A Mordomia Cristã começa quando reconhecemos o senhorio de Cristo e a soberania de Deus como Criador, Redentor, Mantenedor e Proprietário. A Mordomia cristã começa com Deus, não conosco, “mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8).
    Paulo reconhecia sua obrigação de compartilhar o evangelho da graça: “Pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9:16).
b) Mordomia da vida. O maior dom que os seres humanos recebem de Deus é a vida eterna (Jo 3:16). Essas são as “boas novas” que Jesus veio comunicar. Antes de ascender ao Céu, confiou aos discípulos a tarefa inconclusa: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28:19,20). Todos os aspectos da mordomia giram em torno de Cristo e encontram significado Nele. Ele disse: “sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). 
c) Mordomia da Terra. Conforme se observou. “Ao Senhor pertence a Terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24:1). Na criação, tudo era “muito bom” (Gn 1:31). Milênios depois Paulo escreveu: “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8:22). Hoje, a Terra sofre devido à poluição e ao mau uso.
    Foi ensinado aos israelitas que a terra devia receber a oportunidade de se renovar. A cada sete ano a terra também devia desfrutar seu sábado (Lv 25:2-7). Durante o ano sabático era proibido cultivar a terra. Não se podia fazer nenhuma plantação ou poda. 
    A mordomia da terra, confiada por Deus a Adão e Eva, ainda pertence aos descendentes destes. Nós que habitamos o planeta somos responsáveis por cuidar dele. No juízo final, hão de ser destruídos “os que destroem a terra” (Ap 11:18).
2. A criação como Base para a Mordomia
    “As coisas da natureza que hoje, contemplamos não nos dão senão uma pálida concepção da beleza e glória do Éden. No entanto, o mundo natural, com voz inconfundível, proclama o amor de Deus. Até mesmo agora a Terra está cheia da bondade de Deus. Ainda revela a obra do grande Artista Mestre. Declara o Onipotente em poder, grande em bondade e misericórdia criou todas as coisas.”
a) O misericordioso Ato de Deus. A doutrina da mordomia tem sua origem na criação.  Qualquer tentativa de compreender plenamente a essência da mordomia deve começar pela criação. De fato a compreensão dos três primeiros capítulos de Gênesis determina o conceito de Deus - Sua pessoa, quem Ele é, Sua natureza e Seu caráter. Implícita ou explicitamente embutido na Escritura está o pensamento de que Deus é o “proprietário final e definitivo” de todas as coisas. Já nas primeiras palavras de Gênesis Yahweh é o Deus criador. 
b) A Propriedade de Deus. Na criação, Deus Se revela como o Deus de inabalável amor e misericórdia. Sua obra na criação dá vislumbres de Seu caráter e misericórdia. O mundo foi criado pelo Mestre perfeito e belo “viu Deus que tudo era muito bom”. O salmista incentiva as pessoas a renderem “graças ao Senhor por Sua bondade e por Suas maravilhas para com os filhos dos homens” (Sl 107:31; 111:4).
    Há entre a criação e a salvação um vínculo que perpassa toda a Escritura. O Deus vivo é tanto Criador como Redentor. Antes de criar o mundo, Ele elaborou um plano de salvação para enfrentar a contigência do pecado (1Pe 1:18-20). É por isso que a criação, a redenção e a graça deviam vir todas juntas na pessoa de Jesus.  
    A criação foi um ato de misericórdia da parte de um Deus amoroso. Seu propósito era povoar o planeta com seres inteligentes, que seriam o objeto do Seu amor. “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a Terra, que fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: ‘Eu sou o Senhor, e não há outro’” (Is 45:18).
Verdadeiro conceito de propriedade:
- A terra - “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” Salmo 24:1
- Os animais - “Porque meu é todo animal da selva e as alimárias sobre milhares de montanhas.” Salmo 50:10
- As riquezas - “Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos.” Ageu 2:8
- Nós mesmos - “...Quer vivamos ou morramos, somos do Senhor.” Romanos 14:8
A força que temos recebemos dele - “Antes te lembras do Senhor teu Deus, porque Ele é o que dá força para adquirires riquezas.” Deuteronômio 8:18
- Tudo vem de Deus - “Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer ofertas tão voluntariamente? porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos.” I Crônicas 29:19
c) Adão e Eva Representantes de Deus. Deus na sua misericórdia fez dos seres humanos que criara à Sua imagem Seus representantes para cuidar da Terra. “Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a Terra e sobre os répteis que rastejam sobre a Terra” (Gn 1:26). A mesma ordem é repetida no verso 28.
    No relato da criação, homem e mulher são chamados a ser semelhantes ao Criador, pois foram feitos à Sua imagem.
    O papel desempenhado pelo ser humano é diferente de todas as outras criaturas. Só a eles se aplica o imperativo moral. Ellen White ressalta: “Deus criou o homem como um ser superior; ele foi o único formado à imagem de Deus, capaz de participar da natureza divina, de cooperar com seu Criador e executar-Lhe os planos.”
    Deus criou o ser humano à Sua imagem para que pudesse cumprir a comissão de exercer domínio. Deus criou Adão e Eva para serem mordomos sobre a criação. A responsabilidade administrativa confiada ao ser humano é parte integrante da imagem de Deus. Adão e Eva ao sairem das mãos do Criador, representava tudo quanto Deus pretendia que a humanidade fosse.
    A narrativa é cuidadosamente redigida a fim de esclarecer para sempre:
- A soberania de Deus, Sua condição de proprietário e Seu direito de precedência.
- Nossa tarefa é cultivar e guardar a Terra.
- Nossa responsabilidade e dever de prestar contas como seres morais, criados à imagem de Deus.
    A condição de representante de Adão e Eva continuou mesmo depois da queda, como revela o salmista: “Deste-lhe domínio sobre as obras da Tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste” (Sl 8:6).
3. Lembretes do Direito de Posse de Deus
    Como criador, Deus também é proprietário e mantenedor de Sua criação. “Ao Senhor pertence a Terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24:1). “Pois são Meus todos os animais [...] Se eu tivesse fome não to diria, pois o mundo é Meu e quanto nele se contém” (Sl 50:10-12). Por Sua força Ele “cobre de nuvens os céus, prepara a chuva para a terra, faz brotar nos montes a erva” (Sl 147:8).
a) A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. No jardim do Éden, a árvore do conhecimento do bem e do mal servia como uma lembrança e um aviso de que Deus não renuncia ao título de Sua propriedade. A mordomia tem seus limites. O mordomo não tem direito de usar os bens do Senhor sem levar em conta a vontade do proprietário. A árvore do conhecimento do bem e do mal se localizava em zona proibida; era o lembrete e advertência de que violar a aliança de mordomia implicaria penalidade. “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: “De toda árvore do conhecimento do bem do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16,17).
    Deus não permitirá que os seres humanos assumam a posição de proprietários. Eles serão sempre mordomos, representantes, embaixadores.
b) Sábado. O primeiro dia completo vivido por Adão e Eva foi um sábado, dia de repouso especial de Deus (Gn 1:31-2:3). Quando examinado à luz do conceito de mordomia, o quarto mandamento se torna uma declaração divina sobre as relações humanas. Primeiro vem a relação com Deus. Este dia é o “sábado do Senhor, teu Deus” (Ex 20:10). No mandamento do sábado, as criaturas são lembradas de sua finitude, de sua condição de criatura. O mandamento do sábado também faz referência à relação dos seres humanos entre si: “não farás nenhum trabalho [...]”. O mordomo como representante de Deus, deve tomar providências para que o repouso sabático esteja disponível para todas as criaturas de Deus.
    O sábado é uma porção da eternidade inserida no tempo. O sábado também estabelece as relações entre Yahweh e os seres humanos, entre os seres humanos e os animais e com a terra. Prescreve claramente uma relação de dependência de Deus e de adoração ao Criador. 
    Visto que o sábado tem a ver com tempo, os seres humanos são conscientes do valor do tempo. A declaração “o sábado foi feito por causa do homem” é seguida por outra: “o Filho do Homem é Senhor também do sábado” (Mc 2:27,28). O sentido mais profundo do sábado consiste em que Jesus é o Senhor de tudo: tempo, talento, tesouro e templo corporal.
4. Conclusão
    Somos devedores a Jesus por todo o momento da existência, e por todos os confortos da vida. As faculdades e habilidades que elevam o homem acima da criação inferior são os dotes do Criador. 
    Somos devedores de Deus pelo alimento que comemos, da água que bebemos, da roupa que vestimos, do ar que respiramos. Sem Sua especial providência, o ar estaria cheio de pestilência e de veneno. Ele é generoso benfeitor e preservador, tudo fala ao homem do amor de Seu Criador. Tem-nos Ele ligado a Si mesmo por todos os laços do Céu e da Terra.

5. Referências:

1. Almeida Corrigida Fiel ACF 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (SBTB).

2. Ellen G. White. Espírito de Profecia.

3. Tratado de Teologia da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

4. Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia.


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