Mordomia da Graça Divina (2)

MORDOMIA DA GRAÇA DIVINA
1. Introdução
    Na condição de povo em relação à aliança com Deus, Israel havia recebido o mais rico dom: a graça divina. Deus havia sido misericordioso, bondoso e compassivo para com a nação. A própria Torah fora uma dádiva da graça de Deus. O Salmista sugere a reação apropriada a essa manifestação da graça abundante: “Dai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade” (Sl 29:2); “Tributai ao Senhor a glória devida ao Seu nome; trazei oferendas e entrai nos Seus átrios” (Sl 96:7-9).
    A mordomia cristã é um assunto espiritual. Tem que ver com o senhorio de Cristo, em todos os aspectos da vida. Está ligada às questões cruciais para o ser humano, como por exemplo: controle da vida. Quem manda e dá as ordens. Quem merece ser reconhecido e adorado. É muito mais do que simplesmente fidelidade em todos os aspectos da vida, inclusive no ato de dizimar e ofertar. Tem que ver com o poder que controla a vida diariamente, em todos os seus aspectos, desde o levantar até o deitar.
    “Da cruz do calvário Cristo pede uma consagração sem reservas. Tudo que temos, tudo que somos deve ser dedicado a Deus.” (Fé Pela Qual Eu Vivo – MM 1959; Patriarcas e Profetas).
2. Conceito de Mordomia Cristã
    O NT utiliza as idéias do AT. As palavras gregas mais comumente usadas com relação a mordomia derivam de oikos e oikia, “casa”. O oikonomos é aquele que guarda a casa “o mordomo ou gerente”. Oikonomia é a “administração da casa”, cujo significado é mais amplo.
O mordomo infiel da parábola de Jesus (Lc 16:2-4) é chamado de oikonomos, e seus deveres e responsabilidades são chamados de oikonomia, “mordomia”. 
  Em 1 Coríntios 9:17, Paulo fala de oikonomia como responsabilidade de despenseiro que lhe foi confiada. Efésios 1:10 usa a palavra oikonomia para se referir ao plano de Deus de fazer “convergir” em Cristo todas as coisas. Em Colossenses 1:25, oikonomia é a dispensação que o Senhor confiou “para dar pleno cumprimento à Palavra de Deus”. Em Tito 1:7, o bispo é chamado de despenseiro (oikonomos) de Deus, ou seja, ele tem uma obrigação administrativa a cumprir. Em Romanos 16:23 oikonomos aparece em referência ao tesoureiro da cidade.
    O que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel. Cada cristão é um oikonomos: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe 4:10). “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” (Sl 24:1).
Verdadeiro conceito de propriedade:
- A terra - “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” Salmo 24:1
- Os animais - “Porque meu é todo animal da selva e as alimárias sobre milhares de montanhas.” Salmo 50:10
- As riquezas - “Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos.” Ageu 2:8
- Nós mesmos - “...Quer vivamos ou morramos, somos do Senhor.” Romanos 14:8
- A força que temos recebemos dele - “Antes te lembras do Senhor teu Deus, porque Ele é o que dá força para adquirires riquezas.” Deuteronômio 8:18
- Tudo vem de Deus - “Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer ofertas tão voluntariamente? porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos.” I Crônicas 29:19
    A Mordomia Cristã começa quando reconhecemos a soberania de Deus como Criador, Redentor, Mantenedor e Proprietário.
  Precisamos reconhecer nossa condição pecaminosa antes de enxergar a necessidade de mudança. A transformação só pode ocorrer pela atuação de Cristo em nossa vida. A mordomia é uma expressão dessa mudança. Em sentido amplo, mordomia é administração de posses tangíveis e intangíveis para a glória de Deus.
    Mordomia é a expressão prática do que significa seguir Jesus e do nosso amor a Deus, um meio de viver a verdade que recebemos em Cristo. Na escola de Cristo descobrimos que o resultado da mordomia é o contentamento com a vida justa. Nossa vida reflete o caráter de Deus para o mundo. Há beleza, felicidade e piedade na vida daqueles que ousam defender os princípios bíblicos, que estão em oposição ao mundanismo.
a) A função da mordomia:
    A função da mordomia é nos levar a viver a verdade doutrinária como ela é em Jesus, de maneira que influencie positivamente nossa qualidade de vida. A mordomia é simples mas também complexa e, portanto, pode ser facilmente mal compreendida. Contudo, o cristão e a igreja não podem existir nem funcionar sem ela, ser cristão também é ser um bom mordomo. Mordomia não é uma teoria ou filosofia. É, na verdade, a lei da vida cristã. Ela é necessária para uma compreensão adequada da existência, é essencial para uma verdadeira e vital experiência religiosa. Para compreendermos e vivenciarmos a mordomia, precisamos aprender sobre três conceitos básicos. Vida Cristã, Comunhão, Entrega (Jesus, personagem central da bíblia)
3. Mordomia da Graça
    O maior dom que os seres humanos recebem de Deus é a vida eterna (Jo 3:16), não somente no futuro, mas também agora (Jo 5:24; 10:10). Essas são as “boas novas” que Jesus veio comunicar. Antes de ascender ao Céu, confiou aos discípulos a tarefa inconclusa: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28:19,20).
    A Mordomia cristã começa com Deus, não conosco, “mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8).
    Paulo reconhecia sua obrigação de compartilhar o evangelho da graça: “Pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9:16). Contudo, ele não restringia a responsabilidade a si e seus companheiros, os apóstolos. Escrevendo aos coríntios, afirmou que “Deus [...] nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” (2Co 5:18). Elogiou os tessalonicenses porque deles “repercutiu a palavra do Senhor [...] na Macedônia e Acaia”; e “por toda a parte divulgou a sua fé em Deus” (1Ts 1:8). 
    Os gentios deviam observar a vida dos cristãos e “glorificar a Deus” por causa dela (1Pe 2:12). O apóstolo também insistia para que os crentes estivessem “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3:15).
    Apocalipse 14:6-12, contém as boas novas “um evangelho eterno” para ser proclamado ao mundo. As boas-novas são que Deus realmente ama este planeta e está determinado a resgatá-lo e renová-lo para que se cumpra o Seu propósito original na criação. Partilhar essa mensagem vital em sua plenitude é parte essencial da mordomia cristã.
   A igreja, como corpo coletivo, é obrigada a estabelecer uma autêntica comunidade de mordomia numa sociedade cada vez mais secularizada. A fim de que isso aconteça, deve moderar seus gostos, resistir à concupiscência e imitar, tão de perto quanto possível, a maneira humilde de Jesus. Isso ajudará a dar credibilidade ao testemunho da igreja.
   O cristão não deve, porém, esperar pela organização para assumir sua responsabilidade pessoal. 
    No tempo do fim, o povo de Deus deve se unir na proclamação da tríplice mensagem angélica de Apocalipse 14. Pelo fato de serem beneficiários da salvação de Deus, acham-se eles sob a obrigação de partilhar a mensagem de esperança e vida.
4. Exemplo de Mordomia
a) Abraão. A promessa da aliança divina era: “De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” (Gn 12:2). Abraão, o pai dos crentes, destaca-se como um exemplo do comprometimento total com Yahweh na relação de aliança. A respeito dele Deus podia dizer: “Porque Eu o escolhi (heb. Eu o conheço) para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo” (Gn 18:19). 
5. Conclusão
    Mordomia pressupõe uma relação de confiança. A fidelidade a Deus, o comprometimento com Sua vontade e a obediência aos Seus mandamentos são as características inconfundíveis do verdadeiro mordomo. Em Suas aparições a Abraão, Yahweh deixou bem claro que desejava fazer dele depositário do conhecimento de Deus. Deus sempre ministrou Sua graça ao mundo por meio de indivíduos e de Seu povo Israel. Esses revelaram sua graça ao mundo e se tornaram, em certo sentido, condutos de bênção. Determinadas pessoas no relato bíblico tipificam os princípios da verdadeira mordomia.
6. Referências:
1. Almeida Corrigida Fiel ACF 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (SBTB).
2. Ellen G. White. Espírito de Profecia.
3. Tratado de Teologia da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
4. Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

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